Caci Amaral, Márcia Castro e Mônica Lopes
“Põe a semente na terra, não será em vão!
Não te preocupe a colheita, plantas para o irmão!”
MÍSTICA E EXPERIÊNCIAS ANTERIORES
Atenta à necessidade de formação cidadã para a efetiva atuação e evangelização no mundo da política, a Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo, em 2012 – período em que a Igreja no Brasil celebrava o Ano da Fé, e como resposta da Pastoral ao chamado para conhecer melhor e viver de forma mais profunda a fé professada –, iniciou os primeiros passos para a organização da Escola de Fé e Política Waldemar Rossi - EFPWR. Em 2013, a Campanha da Fraternidade convidou-nos a refletir, rezar e agir, em vista da fraternidade e da juventude, e a dizer junto com o profeta Isaías: "Eis-me aqui, envia-me". Inspirada na mística do Ano da Fé e da CF 2013, entendendo a ação política como suprema caridade, planejamento e divulgação realizados, naquele ano foram iniciadas as aulas da primeira turma da EFPWR, na Região Episcopal Belém da Arquidiocese de São Paulo. Deve-se registrar que, já em 2010, as Oficinas do I Congresso de Leigos da Arquidiocese de São Paulo novamente destacaram a importância da formação de leigos e leigas e da articulação das Pastorais, tendo em vista a participação cidadã na busca do bem comum, a qualidade de vida, a realização de direitos e a promoção e defesa da dignidade da pessoa. Experiências anteriores, das quais os membros da Pastoral foram partícipes, inspiraram e colaboraram para a concretização do projeto da escola.
Cumpre citar, como antecedente histórico:
- Em 2008, o Curso de Extensão em Fé e Política organizado pela Pastoral Fé e Política, em parceria com as Faculdades Integradas Claretianas, no município de São Paulo, com o tema “Formando cidadãos onde todos os direitos sejam de todos”. Este curso teve a coordenação de Caci Amaral e Pedro Aguerre, este professor da PUC/SP. Foi um curso de 90h, desenvolvido no período de um ano.
- A experiência do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara - CEFEP, iniciativa da CNBB, um serviço para a formação política dos cristãos leigos e leigas, sob a presidência da Comissão Episcopal para o Laicato. Com formação presencial e à distância, este curso vem favorecendo, desde 2009, a troca de experiências entre escolas de cidadania espalhadas por dioceses e entidades no Brasil.
- O projeto Escolas da Cidadania, iniciado pelo Padre Antonio Luiz Marchioni (Pe. Ticão) em 2010, com a fundação da Escola da Cidadania da Zona Leste Pedro Yamagushi Ferreira.
- Em 2012, a fundação da Escola da Cidadania da Zona Sul Santo Dias, sob a liderança do Padre Jaime Crowe.
Apoiada nestas estas experiências, a Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo deu início à organização da Escola do Belém. Considerando a identidade da pastoral e a experiência de 2008, optou-se por denominá-la “Escola de Fé e Política”, explicitando assim a identidade da formação política, a partir da fé cristã. Ao longo dos seus quatro anos de atividades, alunos e alunas assumiram a participação em diferentes conselhos – Saúde, Educação, Participativo, Tutelar, Idoso, Juventude e Universitário. Por meio da escola, a Pastoral Fé e Política vem promovendo o empoderamento de leigos e leigas , formando novas lideranças para a cidadania ativa.
O PATRONO DA ESCOLA
Em 2012, a Pastoral Fé e Política iniciou o planejamento para a organização da escola, até que chegou o momento de escolher seu nome. Queríamos homenagear um leigo ou leiga, tendo como referência sua caminhada cristã, que tivesse compromisso reconhecido publicamente com a política e, se possível, que fosse morador da região onde se localizava a EFPWR, a Zona Leste da cidade de São Paulo. Unanimemente, escolhemos para patrono de nossa escola o amigo Waldemar Rossi.
Ao decidirmos registrar a memória de luta de Waldemar Rossi – leigo, operário, sindicalista e membro fundador da Pastoral Operária –, colocando seu nome como identificação da Escola de Fé e Política, não esperávamos sua adesão ao nosso trabalho. Mas assim ele fez. Aos 79 anos, esteve todas as segundas-feiras nas aulas de 2013 a 2015 sempre alegre, participativo, semeando consciência a cada aula com seus comentários. Sempre com humildade, acompanhava nossa caminhada; jamais quis assumir o comando. Mostrava-se presença de luz, amiga, solidária e sábia. Ministrou várias aulas com grande propriedade. Um operário autodidata que se formou ao longo da caminhada de militante, discípulo missionário de Jesus Cristo em plenitude. Waldemar Rossi demonstrava muita clareza diante dos fatos, analisava as raízes dos problemas. Não ficava na superficialidade. Sempre com um sorriso franco, transmitia-nos os fundamentos da alegria do Evangelho. Falava das barbáries de ontem e de hoje, da importância do trabalho de formação e ação na base e com a base, sempre a partir dos mais sofridos, e da organização do povo em pequenos grupos. Waldemar foi para a EFPWR o profeta da esperança. Ficava extremamente feliz com as ações assumidas pelos alunos e alunas, ao atuarem em conselhos de políticas públicas, na organização de grupos na periferia e ao cuidarem do desenvolvimento da consciência crítica frente à realidade. Sabia da importância de semear e não tinha pressa, nem imediatismos. Dizia-nos que as mudanças ocorrem em processos, e que os processos precisam ser desencadeados. Na sua sabedoria de um semeador, dizia ele: “A Escola de Fé e Política é instrumento de conscientização e de ação transformadora”. Por três anos, tivemos o privilégio da sua presença e agora é imensa a sua falta, mas..."A luta continua!”, lembrando do lema de Waldemar Rossi, para nos chamar à ação e à reflexão.
